sexta-feira, 18 de março de 2011

Temas de Aula 03 e 04

(Imagem retirada de http://conhecimentoedireitodetodos.blogspot.com/2010/04/se-xviii-iluminismo.html)

Já combinamos, mas repito: Vocês podem copiar ou imprimir e colar no caderno.
Algumas turmas já tem a primeira parte.

Tema de aula 03:  ILUMINISMO

A) Iluminismo
A.1) Conceitos:
* Movimentos de renovação filosóficae intelectual que teve seu auge na França do séc XVIII;
* Movimento que criticava a centralização de poder e a monopolização de conceitos;
* Novas teorias sobre os mais diversos assuntos como Deus, Terra, planetas, homens e sociedade;
* Capacidade que a RAZÃO tem de tudo iluminar.

A.2) Características/ Princípios:
* IGUALDADE no ato de comércio (igualdade jurídica dos contratantes perante a lei)
* TOLERÂNCIA RELIGIOSA OU FILOSÓFICA no ato de comércio. A capacidade comercial das pessoas não se alteraria em função de suas crenças religiosas, morais ou filosóficas
* LIBERDADE- o comércio só poderia se desenvolver numa sociedade de homens juridicamente livres para vender e comprar. por isso, a burguesia era contra a escravidão humana pois sem homens livres não poderia existir mercado comercial
* PROPRIEDADE- a burguesia passou a defender que todos os homens tenham direito de conquistar propriedades materiais pois somente o proprietário tem o direito de usar e dispor livremente de sues bens.

A.3) Combatia:
* ABSOLUTISMO MONÁRQUICO: sistema injusto de governo pois impedia o desenvolvimento do comércio
* MERCANTILISMO: a intervenção do estado na vida econômica feria o individualismo burguês e sua vocação para a livre iniciativa
* O PODER DA IGREJA defendia-se que os princípios religiosos, baseados na "fé-superstição" fossem substituídos por princípios científicos baseados na razão.

Tema de aula 04
A.4) Precursores:
René Descartes (15961650) foi um filósofo, físico e matemático francês. Durante a Idade Moderna também era conhecido por seu nome latino Renatus Cartesius.
Notabilizou-se sobretudo por seu trabalho revolucionário na filosofia e na ciência, mas também obteve reconhecimento matemático por sugerir a fusão da álgebra com a geometria - fato que gerou a geometria analítica e o sistema de coordenadas que hoje leva o seu nome. Por fim, ele foi uma das figuras-chave na Revolução Científica.
Descartes, por vezes chamado de "o fundador da filosofia moderna" e o "pai da matemática moderna", é considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da História do Pensamento Ocidental. Inspirou contemporâneos e várias gerações de filósofos posteriores; boa parte da filosofia escrita a partir de então foi uma reação às suas obras ou a autores supostamente influenciados por ele. Muitos especialistas afirmam que a partir de Descartes inaugurou-se o racionalismo da Idade Moderna. Décadas mais tarde, surgiria nas Ilhas Britânicas um movimento filosófico que, de certa forma, seria o seu oposto - o empirismo, com John Locke e David Hume.
* Isaac Newton (1643 a1727) foi um cientista inglês, mais reconhecido como físico e matemático, embora tenha sido também astrônomo, alquimista, filósofo natural e teólogo.
Sua obra, Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, é considerada uma das mais influentes em História da ciência. Publicada em 1687, esta obra descreve a lei da gravitação universal e as três leis de Newton, que fundamentaram a mecânica clássica.
Ao demonstrar a consistência que havia entre o sistema por si idealizado e as leis de Kepler do movimento dos planetas, foi o primeiro a demonstrar que o movimento de objetos, tanto na Terra como em outros corpos celestes, são governados pelo mesmo conjunto de leis naturais. O poder unificador e profético de suas leis era centrado na revolução científica, no avanço do heliocentrismo e na difundida noção de que a investigação racional pode revelar o funcionamento mais intrínseco da natureza.
Em uma pesquisa promovida pela instituição Royal Society, Newton foi considerado o cientista que causou maior impacto na história da ciência. De personalidade sóbria, fechada e solitária, para ele, a função da ciência era descobrir leis universais e enunciá-las de forma precisa e racional.
* John Locke (1632 a  1704) foi um filósofo inglês e ideólogo do liberalismo, sendo considerado o principal representante do empirismo britânico e um dos principais teóricos do contrato social.
Locke rejeitava a doutrina das ideias inatas e afirmava que todas as nossas ideias tinham origem no que era percebido pelos sentidos. Escreveu o Ensaio acerca do Entendimento Humano, onde desenvolve sua teoria sobre a origem e a natureza de nossos conhecimentos. Suas ideias ajudaram a derrubar o absolutismo na Inglaterra. Locke dizia que todos os homens, ao nascer, tinham direitos naturais: direito à vida, à liberdade e à propriedade. Para garantir esses direitos naturais, os homens haviam criado governos. Se esses governos, contudo, não respeitassem a vida, a liberdade e a propriedade, o povo tinha o direito de se revoltar contra eles. As pessoas podiam contestar um governo injusto e não eram obrigadas a aceitar suas decisões.
Dedicou-se também à filosofia política. No Primeiro tratado sobre o governo civil, critica a tradição que afirmava o direito divino dos reis, declarando que a vida política é uma invenção humana, completamente independente das questões divinas. No Segundo tratado sobre o governo civil, expõe sua teoria do Estado liberal e a propriedade privada.

B) Teoria econômicas burguesas:
B.1) FISIOCRACIA:

 A escola fisiocrática surgiu no século XVIII e é considerada a primeira escola de economia científica. Surgiu como uma reação iluminista ao mercantilismo, um subproduto do absolutismo que dava ênfase à indústria e ao comércio voltados para a exportação. Ao contrário, os fisiocratas consideravam a agricultura como fonte original de toda riqueza, porque somente ela permitia larga margem de lucros sobre um investimento pequeno. A terra era a única verdadeira fonte das riquezas. As outras formas de produção estavam meramente transformando produtos da terra, com menor margem de lucro. Os produtos da agricultura deveriam ser valorizados e vendidos a alto preço e os proprietários de terras reconhecidos com os verdadeiros promotores da riqueza do país e respeitados como tal.
A palavra "fisiocracia" indica a idéia fundamental de governo da natureza e liberdade de ação (de onde a famosa frase laissez faire, laissez passer) em oposição às complexas regulamentações governamentais que regiam o mercantilismo. O promotor dessa revolução contra o mercantilismo foi François Quesnay, médico da corte de Luís XV. Sua teoria apareceu em seu livro Tableau Economique ("Quadro Econômico"), de 1758, que mostrava esquematicamente as relações entre as diferentes classes econômicas e setores da sociedade, e o "fluxo de pagamentos" entre elas. Com o Tableau, Quesnay criou o conceito de equilíbrio econômico, uma concepção tomada como ponto de partida nas análises econômicas desde então. A poupança era potencialmente prejudicial porque, não aplicadas, podia perturbar o equilíbrio do fluxo de pagamentos.
Segundo Quesnay, existe uma ordem natural e essencial das sociedades humanas, que é inútil contrariar com leis, regulamentos ou sistemas. Seu primeiro discípulo importante foi Victor Riqueti, Marquês de Mirabeau, que escreveu Explication du "Tableau économique" ("Explicação do 'Quadro Econômico' ") de 1759, Théorie de l'impôt ("Teoria do Imposto"), de 1760; e Philosophie rurale ("Filosofia rural"), de 1763, todos girando em torno ao pensamento do mestre. Em 1763 outro jovem discípulo juntou-se à corrente, Pierre Samuel du Pont de Nemours, que em 1767 publicou uma coleção dos escritos de Quesnay sob o título La Physiocratie; ou, constitution naturelle du gouvernement le plus avantageux au genre humain ("A Fisiocracia ou, a constituição natural do governo a mais vantajosa para o gênero humano") do qual a escola tirou o seu nome.
Fazendo pivotar a economia na produção agrícola, haveria um imposto único que os proprietários de terra pagariam, livrando o povo da grande quantidade de impostos a que estava obrigado. Porém uma experiência de conduzir a economia segundo a doutrina fisiocrática, feita por Anne-Robert-Jacques Turgot, ministros das finanças em 1774 resultou em fracasso devido aos protestos dos proprietários de terras. Com a exoneração do ministro desapareceu a influência dos fisiocratas.

B.2) LIBERALISMO ECONÔMICO:
A teoria do liberalismo econômico surgiu no contexto do fim do mercantilismo, período em que era necessário estabelecer novos paradigmas, já que o capitalismo estava se firmando cada vez mais. A idéia central do liberalismo econômico é a defesa da emancipação da economia de qualquer dogma externo a ela mesma, ou seja, a eliminação de interferências provenientes de qualquer meio na economia.
Tal teoria surgiu no final do século XVIII, tendo em François Quesnay um dos seus principais teóricos. Quesnay afirmava que a verdadeira atividade produtiva estava inserida na agricultura. Outro pensador que contribuiu para o desenvolvimento da teoria do liberalismo econômico foi Vincent de Gournay, o qual dizia que as atividades comerciais e industriais deveriam usufruir de liberdade, para assim se desenvolverem e alcançarem a acumulação de capitais.
No entanto, o principal teórico e pai da teoria do liberalismo econômico foi Adam Smith. O economista escocês confrontou as idéias de Quesnay e Gournay, afirmando em seu livro “A Riqueza das Nações” as principais idéias do liberalismo econômico: a prosperidade econômica e a acumulação de riquezas não são concebidas através da atividade rural e nem comercial, mas sim, através do trabalho livre, sem nenhum agente regulador ou interventor.
Para Smith, não eram necessárias intervenções na economia, visto que o próprio mercado dispunha de mecanismos próprios de regulação da mesma: a chamada “mão invisível”, que seria responsável por trazer benefícios para toda a sociedade, além de promover a evolução generalizada. Os liberalistas defendem a livre concorrência e a lei da oferta e da procura. Estes teóricos foram os primeiros a tratar a economia como ciência.
C) Grandes pensadores iluministas
C.1)Charles-Louis de Secondat, ou simplesmente Charles de Montesquieu, senhor de La Brède ou barão de Montesquieu (castelo de La Brède, próximo a Bordéus, 18 de Janeiro de 1689Paris, 10 de Fevereiro de 1755), foi um político, filósofo e escritor francês. Ficou famoso pela sua Teoria da Separação dos Poderes, atualmente consagrada em muitas das modernas constituições internacionais.
Aristocrata, filho de família nobre, nasceu no dia 18 de Janeiro de 1689 e cedo teve formação iluminista com padres oratorianos. Revelou-se um crítico severo e irônico da monarquia absolutista decadente, bem como do clero católico. Adquiriu sólidos conhecimentos humanísticos e jurídicos, mas também frequentou em Paris os círculos da boêmia literária. Em 1714, entrou para o tribunal provincial de Bordéus, que presidiu de 1716 a 1726. Fez longas viagens pela Europa e, de 1729 a 1731, esteve na Inglaterra.
Proficiente escritor, concebeu livros importantes e influentes, como Cartas persas (1721), Considerações sobre as causas da grandeza dos romanos e de sua decadência (1734) e O Espírito das leis (1748), a sua mais famosa obra. Contribuiu também para a célebre Enciclopédia, juntamente com Diderot e D'Alembert..
C.2)  François-Marie Arouet, mais conhecido pelo pseudônimo Voltaire (Paris, 21 de novembro de 1694 — Paris, 30 de maio de 1778) foi um escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês, conhecido pela sua perspicácia e espirituosidade na defesa das liberdades civis, inclusive liberdade religiosa e livre comércio. É uma dentre muitas figuras do Iluminismo cujas obras e idéias influenciaram pensadores importantes tanto da Revolução Francesa quanto da Americana. Escritor prolífico, Voltaire produziu cerca de 70 obras[1] em quase todas as formas literárias, assinando peças de teatro, poemas, romances, ensaios, obras científicas e históricas, mais de 20 mil cartas e mais de 2 mil livros e panfletos. Foi um defensor aberto da reforma social apesar das rígidas leis de censura e severas punições para quem as quebrasse. Um polemista satírico, ele frequentemente usou suas obras para criticar a Igreja Católica e as instituições francesas do seu tempo. Voltaire é o patriarca de Ferney. Ficou conhecido por dirigir duas críticas aos reis absolutistas e aos privilégios do clero e da nobreza. Por dizer o que pensava, foi preso duas vezes e, para escapar a uma nova prisão, refugiou-se na Inglaterra. Durante os três anos em que permaneceu naquele país, conheceu e passou a admirar as ideias políticas de John Locke.
C.3) Jean-Jacques Rousseau (Genebra, 28 de Junho de 1712Ermenonville, 2 de Julho de 1778) foi um importante filósofo, teórico político e escritor suíço. É considerado um dos principais filósofos do iluminismo. Foi um filósofo, escritor, teórico político e um compositor musical autodidata suíço. Uma das figuras marcantes do Iluminismo francês, Rousseau é também um precursor do romantismo.
Ao defender que todos os homens nascem livres, e a liberdade faz parte da natureza do homem, Rousseau inspirou todos os movimentos que visaram uma busca pela liberdade. Incluem-se aí as Revoluções Liberais, o Anarquismo etc.
Sua influência se faz sentir em nomes da literatura como Tolstói e Thoreau, influencia também movimentos de Ecologia Profunda, já que era adepto da proximidade com a natureza e afirmava que os problemas do homem decorriam dos males que a sociedade havia criado e não existiam no estado selvagem. Foi um dos grandes pensadores nos quais a Revolução Francesa se baseou, apesar de esta se apropriar erroneamente de muitas de suas ideias.
A filosofia política de Rousseau é inserida na perspectiva dita contratualista de filósofos britânicos dos séculos XVII e XVIII, e seu famoso Discurso sobre a Origem e Fundamentos da Desigualdade Entre Homens pode ser facilmente entendido como um diálogo com a obra de Thomas Hobbes.
C.4) Immanuel Kant ou Emanuel Kant (Königsberg, 22 de abril de 1724 — Königsberg, 12 de fevereiro de 1804) foi um filósofo prussiano, geralmente considerado como o último grande filósofo dos princípios da era moderna, indiscutivelmente um dos pensadores mais influentes.
Depois de um longo período como professor secundário de geografia, começou em 1755 a carreira universitária ensinando Ciências Naturais. Em 1770 foi nomeado professor catedrático da Universidade de Königsberg, cidade da qual nunca saiu, levando uma vida monotonamente pontual e só dedicada aos estudos filosóficos. Realizou numerosos trabalhos sobre ciência, física, matemática, etc.
Kant operou, na epistemologia, uma síntese entre o Racionalismo continental (de René Descartes e Gottfried Leibniz, onde impera a forma de raciocínio dedutivo), e a tradição empírica inglesa (de David Hume, John Locke, ou George Berkeley, que valoriza a indução).
Kant é famoso sobretudo pela elaboração do denominado idealismo transcendental: todos nós trazemos formas e conceitos a priori (aqueles que não vêm da experiência) para a experiência concreta do mundo, os quais seriam de outra forma impossíveis de determinar. A filosofia da natureza e da natureza humana de Kant é historicamente uma das mais determinantes fontes do relativismo conceptual que dominou a vida intelectual do século XX. No entanto, é muito provável que Kant rejeitasse o relativismo nas formas contemporâneas, como por exemplo o Pós-modernismo.
Kant é também conhecido pela filosofia moral e pela proposta, a primeira moderna, de uma teoria da formação do sistema solar, conhecida como a hipótese Kant-Laplace.
C.5) Denis Diderot e Jean le Rond d'Alembert- Em 1751 foi editado o primeiro volume da Enciclopédia, de Denis Diderot e Jean le Rond d’Alembert. A peripécia intelectual e editorial sem precedentes provocou na Europa, ao mesmo tempo, entusiasmo e aversão. A obra tinha a ambição de colocar ao alcance do leitor todo o conjunto de conhecimentos humanos derivados da razão. Mas, já no fim do século XVIII, o trabalho foi acusado de estar na origem da Revolução Francesa, dado que também o movimento bebeu na fonte do Iluminismo.
Alguns estudiosos do século XIX aprofundaram essa visão e identificaram nos volumes o triunfo do liberalismo reformador e a reabilitação do trabalho popular. O historiador francês Jules Michelet, por exemplo, exaltava em Diderot a alma e o caráter da revolução. Já o intelectual alemão Karl Marx avançava mais e denunciava o desvio do espírito das Luzes pela classe burguesa.
Críticas à parte, a história da Enciclopédia revela um nível ímpar de idealismo. Em 1740, o livreiro parisiense André Le Breton estava em busca de um projeto que colocasse à disposição do público, a um preço razoável, uma informação competente, filosófica, científica e técnica, na língua do país e livre da pressão erudita das obras acadêmicas.
A moda então eram os livros ingleses. Com seus três sócios, Le Breton decidiu traduzir e editar a Cyclopaedia de Ephraim Chambers, uma espécie de dicionário de vários assuntos publicado em Londres em 1728. Surgiu, contudo, todo tipo de dificuldades entre editores e colaboradores. Em 1747, os livreiros franceses decidiram apelar a Diderot e D’Alembert para que ambos dirigissem a concepção e a realização da obra.
Diderot tinha o perfil intelectual adequado, e sua associação com d’Alambert, matemático próximo dos meios aristocráticos e membro da Academia das Ciências, deu à obra uma chancela oficial. Do empenho de ambos no projeto resultou a necessidade de ir além do dicionário de Chambers, limitado demais, em particular no campo das artes mecânicas, da agronomia e das ilustrações.
Para reforçar o novo texto, optou-se pelo uso de imagens, procedimento pedagógico que seria um dos maiores trunfos da Enciclopédia. Os temas foram apresentados sob a forma de uma árvore inspirada na do filósofo inglês Francis Bacon. A filosofia era o tronco, enquanto a teologia foi destronada e relegada a um ramo, em companhia das ciências ocultas e da magia!

O tom estava dado: a Enciclopédia, dicionário racional das ciências, das artes e dos ofícios era ao mesmo tempo uma obra de informação e um manifesto. Havia o desejo expresso de romper com um passado considerado ignorante e obscurantista e afirmar o advento de uma nova era, fundada nas luzes da razão e na fé no progresso.

A filosofia foi, a partir de então, considerada uma disciplina guia, encarregada de acabar com os preconceitos e superstições que se opunham à razão, transformada em uma espécie de nova religião. Ocorre que havia muitas divergências entre os filósofos. O suíço Jean-Jacques Rousseau e o francês François-Marie Arouet (ninguém menos que Voltaire) eram deístas. Já Diderot e os também franceses Paul-Henri Thiry (cujo pseudônimo era Baron d’Holbach) e Claude-Adrien Helvétius eram ateus.
As divergências não paravam aí. Rousseau proclamava a liberdade do homem e as virtudes da solidão, enquanto Diderot via o ser humano em uma lógica mais determinista na qual a sociedade tinha um papel quase preponderante. Mesmo assim, todos concordavam com o princípio de melhorar o homem e organizar a sociedade, em vez de questionar a existência de Deus, com o qual o homem não tinha uma experiência sensível por definição.
Além disso, todos tinham o mesmo dever: ampliar o campo do conhecimento e esclarecer a humanidade por meio de educação baseada na observação e na razão. Os enciclopedistas se consideravam um baluarte dessa nova pedagogia, que tomou ares messiânicos.
Diderot trabalhou nessa obra anos a fio e se cercou de uma equipe de aproximadamente 150 colaboradores reconhecidos – dois quintos deles permaneceram anônimos. O recrutamento levou em conta competências, não posição social. Assim, havia eruditos e práticos, proprietários e funcionários. A despeito da lenda, porém, nenhum negociante ou grande mercador participou da obra. E nenhum operário ou camponês.
Outros nomes célebres sistematicamente associados à Enciclopédia tiveram participação ínfima, como Charles de Montesquieu, morto na França em 1755. Rousseau, que contribuiu com 390 artigos de música e outros de economia política, retirou-se do projeto em 1757, furioso com um texto redigido por D’Alembert, que já andava cansado de ataques e proibições oficiais e também abandonou o barco. Voltaire apoiava a causa, mas sem muito esforço – seus artigos literários ou históricos careciam de brilho.
Depois de 1759, a maioria havia desertado. Diderot, decepcionado, recorreu a uma equipe menor e menos célebre para redigir os dez últimos tomos de textos.
A Enciclopédia pareceu desde o início uma máquina de guerra contra a Igreja. Para driblar a censura, os autores se valeram de uma esperteza: reservaram poucos “sacrilégios” aos textos sobre cristianismo, por exemplo. Mas em outros textos e verbetes, sobre outros temas, há referências irônicas sobre o Espírito Santo e as vestimentas do papa. Essa graça, quase uma codificação, fez grande sucesso entre leitores antirreligião.
Até meados do século XVIII, a desconfiança dos censores da universidade Sorbonne – então totalmente dominada pela Igreja – não repousava sobre os filósofos enciclopedistas. O caso do abade de Prades, que escreveu o artigo Certeza para a obra, abriu-lhes os olhos. Prades era acusado de heresia por causa de sua visão particular da teologia. O conselho do rei Luís XV reagiu proibindo os dois primeiros volumes da Enciclopédia.
Não bastasse, em 1758, a obra do colaborador Helvétius, Do espírito, desencadeou uma crise. Os meios tradicionais e as autoridades passaram a considerar a Enciclopédia como um monumento de heresia e perversidade. Em 6 de fevereiro de 1759, o Parlamento de Paris condenou a obra. Foi seguido pelo Conselho de Estado e por Roma. Religiosos que viviam às turras, como jesuítas e jansenistas, aliaram-se contra os selvagens cacouacs, alcunha que designava os enciclopedistas.
Proibida, a obra continuou disponível a quem quisesse, já que a autorização dos livreiros não foi revogada. E seu sucesso continuava imenso, na verdade ampliado pela polêmica. Havia uma excitação geral, intelectual e política. O Estado era mais bem tratado que a Igreja pelos enciclopedistas, mas havia restrições à monarquia. No artigo Economia, Rousseau lançou as bases do livro Do contrato social, e, aqui e ali, os privilégios dos nobres contrastavam com a vida rude do povo.
Os enciclopedistas, contudo, não encorajavam a revolução, pois tinham a certeza de ser eles próprios os protótipos do novo gênero humano: eis uma concepção elitista que afastava de suas preocupações a reivindicação de igualdade universal. Nesse sentido, a Enciclopédia era um produto de seu tempo. Seus idealizadores e seus leitores vieram de classes sociais cujas representações e expectativas se inscreviam em uma corrente racional e liberal amplamente compartilhada com os notáveis e com uma parte da corte.
Por ocasião do lançamento do último tomo, em 1772, Diderot avaliou que a obra estava monstruosa e deveria ser retomada de A a Z. Em 1775, o editor Charles-Joseph Panckoucke iniciou um trabalho de revisão e de complemento, a Enciclopédia metódica, concluída em 1832.
Mesmo com o conhecimento técnico já ultrapassado em muitos aspectos – permanecem com desconcertante atualidade suas teorias sociais –, a obra nunca perdeu o interesse como documento histórico. Seus autores foram pioneiros de um mundo contemporâneo que multiplicou infinitamente o sonho do Iluminismo.
Nascido em 1713, era filho de um cuteleiro rico. Recebeu educação sólida de jesuítas, mas até os 29 anos levou uma vida de boêmio, embora estudioso, pontuada por breves empregos. Isso lhe permitiu dedicar-se à paixão por matemática, latim, grego, inglês, teatro e conversação.
Um casamento precipitado, o nascimento de quatro filhos e uma amante dispendiosa o obrigaram a buscar fontes de renda menos aleatórias que as traduções e os trabalhos filosóficos que lhe rendiam mais prestígio que dinheiro. Foi então que aceitou dirigir o grande projeto do livreiro Le Breton. Trabalhou nele 25 anos.
Se a Enciclopédia, com sua natureza abrangente, o afastou um pouco da filosofia, foi graças à obra e à sua curiosidade intelectual insaciável que se tornou, segundo as palavras de Rousseau, “uma cabeça universal”. Seus inimigos muitas vezes o criticaram por nunca concluir o que havia começado. Injustiça: ele só foi liberado da Enciclopédia em 1765.
A maior parte da obra de Diderot foi conhecida postumamente. Parecia caótica devido à multiplicidade de seus centros de interesse: filosofia e moral (nos livros O sobrinho de Rameau; A religiosa; O pai de família; Jacques, o fatalista), estética (O paradoxo do comediante; Ensaios sobre a pintura; Salões) e crítica literária.


Sites:
http://www.cobra.pages.nom.br/ft-fisiocracia.html
http://www.brasilescola.com/economia/liberalismo-economico.htm
http://pt.wikipedia.org
http://www.controversia.com.br/index.php?act=textos&id=4843
http://conhecimentoedireitodetodos.blogspot.com/2010/04/se-xviii-iluminismo.html


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